Cemitério de Pardais

Cemitério de Pardais

 

Género

Romance

Editora

On y va

Prémios

Prémio Literário Santos Stockler 2024

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Uma reflexão sobre a solidão, as memórias do passado, o amor, a doença e a morte. Cemitério de Pardais é um romance monológico cujo narrador é um homem de 88 anos, cego quase na totalidade, que passa um único dia — o 31 de Dezembro de 2011 — sozinho no seu apartamento, enquanto aguarda a meia-noite e o telefonema da neta. A narrativa decorre em tempo real, capítulo a capítulo marcado pelas horas do relógio (das 8h54 às 0h01 do dia seguinte), e vai tecendo, nesse presente angustiante, o retrato de uma vida inteira: o amor profundo por Marina, uma espanhola conhecida na Plaza Mayor de Madrid junto à estátua equestre de Filipe III, o casamento em 1948, a felicidade, os filhos, o acidente que lhe roubou a esposa e a visão, a perda sucessiva de tudo e de todos. O título nasce de uma imagem poética que a própria Marina lhe contou no primeiro encontro: os pardais que entravam pela boca do cavalo de bronze, ficavam presos no estreito pescoço, e morriam lá dentro, num “cementerio de gorriones” – Cemitério de Pardais. Esta metáfora atravessa o livro inteiro como cifra existencial: o velho é ele próprio um pardal preso no seu corpo doente, a cheirar a morte, a tentar desesperadamente encontrar a luz… a liberdade, que pode ser a morte. Um tema forte tratado com a prosa poética reconhecida do autor. 


Cemitério de Pardais é um livro sobre a arte de morrer bem, no sentido mais nobre e humanista da expressão. É uma meditação sobre o que significa ter vivido — ter amado de forma absoluta, ter perdido tudo e ainda assim permanecer inteiro na memória e na palavra. João Morgado escreve um romance que é simultaneamente íntimo e universal: fala de um homem específico, com uma vida específica, num dia específico, mas toca em algo que diz respeito a todos os que amam e que um dia serão velhos.

A sua principal virtude é a coragem da escassez: não há enredo espectacular, não há reviravoltas, não há conflito exterior. Há apenas um homem, um dia, e uma vida inteira a pulsar dentro de cada hora. Isso exige confiança absoluta na palavra, e João Morgado tem-na. O dispositivo dos rodapés-aforísticos é a invenção formal mais original do livro — uma espécie de coro grego silencioso que comenta a acção sem a interromper.


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