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«Que idade tenho? Tenho a soma dos meus anos de vida. Mas quando estou feliz parece que tenho menos, quando estou triste parece que tenho mais. A minha idade depende do que estou a viver e de quem me acompanha no momento. Quantos anos achas que tenho eu, aqui e agora, contigo?»
«Sempre fui feliz com as mulheres que não amei (…) O amor é a maior imperfeição humana, arrebata-nos, vira-nos do avesso…».
«Isso do amor é perigoso, muito perigoso… (…) Um dia somos livres, todo o céu parece pouco e depois, de um momento para o outro, passamos a desejar alguém e tornamo-nos uma ave tonta a voar de sul para norte, a sonhar com uma gaiola!»
«As mulheres caladas são perigosas. Comem as palavras e transformam-nas em veneno (…) Devemos calar uma mulher com um beijo, mas nunca se deve beijar uma mulher calada. É perigoso, muito perigoso…»
«Dentro de uma mulher cabe um homem, cabe um filho, cabe o mundo inteiro se preciso for… menos as palavras. As mulheres não foram feitas para terem palavras dentro delas. Por isso falam tanto. Precisam falar para não morrerem envenenadas…»
«Há mulheres desenhadas pelo diabo e abençoadas por Deus!»
«O amor é luz de um dia! No dia seguinte magoamo-nos na escuridão. E é preciso tanta coragem para ficar, como para escapar à escuridão desconhecendo as saídas…»
«Há mulheres que nascem de noite. Permanecem sombrias. Mas as mulheres são como as plantas, todas precisam de sol…»
«As mulheres são como as plantas, precisam de sol. Mas as mulheres são vivas por dentro e vivas por fora, precisam de sol no corpo e de sol no coração. Quando as iluminamos só por fora, ficam viçosas de pele mas desabitadas. Quando as iluminamos só por dentro, as flores brotam no seu interior mas sufocam o seu perfume. As mulheres só são felizes, quando alguém as abraça com um sol em cada mão!»
«Do avesso, do pénis de um homem surge um útero. E numa mulher, do avesso do útero se faz um pénis! Por fora são o sexo fraco, reviradas, são o sexo forte. Assim nos enganam as mulheres! Assim, nos enganam…!»
«Estar nu, nada tem a ver com a pele. A verdadeira nudez é deixar que alguém nos morda os pensamentos; nos veja além da carne e nos leia como um livro.»
«Os homens são fortes por fora, fazem-se fortes por fora, aparentam ser fortes por fora, mas resguardam a sua fragilidade interior, incapazes que são de assumirem o que sentem. Os homens têm medo das mulheres que os leem, porque assim elas sabem mais deles que eles próprios. E como pode um homem fazer-se forte, quando uma mulher o despiu por dentro?»
«Sem emoções somos heróis de banda desenhada; apesar de protagonistas num mundo de aventuras, permanecemos um traço de tinta em papel espalmado, com a vida debuxada em quadradinhos. Só as emoções fazem de nós heróis de carne e osso, em todas as suas dimensões».
«Se os cegos querem ver? Talvez! Mas nem todos… Os cegos de nascença almejam a luz, mas para os que já cegaram em vida, depende muito do que viram antes de habitarem a escuridão! Há quem tenha cegado só por se recusar a ver…!».
«Não há um céu pleno de almas, como um baú cheio de moedas. Ninguém guarda as almas, nem Deus - as almas são eternas, quando repartidas em luz por todos os que recordam com afecto os que partiram - as suas almas permanecem em nós; existem. Por vezes, até mais fortes, porque mais límpidas, depuradas do corpo, daquela matéria perecível a que se agarra toda a imundice da vida terrena».
«No jardim podemos cheirar a luz das flores e colher um ramo de sol – os jardins são como os poros da pele, por onde uma cidade respira. Beber o aroma da terra, trincar a beleza das cores, afagar o invisível das brisas, retarda as rugas do tempo e o entardecer dos dias. É como inspirar vida».
«Eu posso ver tudo o que eu quiser ver. E o mundo há-de ser como eu olhar para ele. Até posso ver um morto sorrir, se a ideia de que ele morreu feliz me aliviar a alma, me apagar os remorsos, me sossegar as saudades… »
«Todos temos de existir por inteiro! Eu diria mesmo que, mais do que por inteiro, temos de existir em excesso!»
«Só consegue ser feliz quem foi desventurado e sobreviveu para se lembrar disso todos os dias!»
«Quando alguém se faz anunciar com um sorriso na boca de quem o recebe, esse alguém não está para chegar, já chegou».
«Quando o corpo viaja, nem sempre a cabeça o acompanha. Mas quando a cabeça parte numa viagem, mesmo sem sair do lugar, o corpo sente as pedras do caminho».
«Os corpos das mulheres também sonham; sonham com outros corpos, e suspiram, transpiram, dão de si... Por vezes, no estremecer do sangue, as mulheres que se deitam não se reconhecem nas mulheres que acordam».
«A mão desceu lentamente, escorregando por entre a pele aguada, abrindo o sulco do seu corpo. Fechou os olhos; queria ver o corpo apenas pelos seus dedos. Queria sentir cada poro inebriado da pele. Sentir aquele prazer que nunca sentira ou ousará perseguir dentro de si».
«…sexo e religião andaram sempre a par (…) Duas margens paralelas, sempre separadas, mas sempre com um leito de rio a uni-las – uma vez mais cheio, mais húmido, outras vezes mais seco. Mas o sexo andou sempre a olhar para a religião e a religião sempre a olhar para o sexo...»
«…quando uma pessoa é feliz o cinzento nem é cinzento, é prateado, porque há sempre um brilho no olhar…»
«…comprimia-a contra o tronco da árvore, e ela sentiu pela primeira vez que o corpo dele se avolumava contra o seu ventre; por cima da saia, mas mesmo assim, nunca mais esqueceria aquela sensação do seu primeiro contacto com o desejo tenso de um homem. E o seu corpo queria saber mais do que se passava no corpo dele, remexia as ancas irrequietas, sentindo também um cálido avolumar – ainda que interior e discreto - entre as suas pernas. Naquele instante não havia Inverno, nem frio, nem jardim, nem mundo, nem horas, só o gozo dos volumes a acometerem entre si…»
«…sentir vergonha é querer apagar o sol, é desejar que a noite nos esconda. Mas a noite aumenta a vergonha, fica do tamanho do breu. A vergonha só passa com a luz, quando assumimos o que julgamos ser as nossas imperfeições, quando mostramos o rosto que temos do ser que somos. Quando dizemos ao mundo: sou assim, e agora? Nesse momento, só nesse momento, perdemos toda a vergonha!»
«O sorriso é uma cor. Podemos pintar uma cara com a cor de um sorriso, pintar os olhos dessa cor; pintar de sorriso o amor de quem nos ama».
«Minha avó dizia: o prazer é um chá feito da raiz da dor. Como nos partos, dizia ela – em que as mulheres sofrem no momento mais belo das suas vidas. Acreditava que a essência das coisas era feita de contrários, de céu e de inferno... Por isso, digo eu, a menstruação é a parte do inferno que recorda às mulheres o seu pedaço de céu - serem férteis, fontes de vida… que é uma espécie de centelha de divindade! Há algo mais bonito?»
«As mulheres só estão nuas quando lhes falta um abraço! Mas vestida de abraços toda a mulher é uma rainha! Faça dela uma rainha!»
«A ausência de alguém que se deseja, pode doer; uma dor que pode entrar em nós como a humidade e chegar até aos ossos».
«O seu desejo tinha formas, a sua dor tinha ausências».
«As lágrimas de raiva são salgadas como o mar, mas as lágrimas de ternura são de águas doces como um licor de amêndoa».
«Tenho saudades de mim, e sem ti não me encontro!»
«Estes dias em que não respirei pela tua boca nem me embriaguei do teu cheiro, deu para compreender que… sozinhos somos um pedaço; e não basta. Preciso de ti para ser um todo; vem, é urgente!»
«O mafarrico seria um comerciante de bairro no mercado das almas, não fora a majestosa promoção oferecida pela Santa Sé. Hoje o diabo explora uma grande superfície, atractiva, cheia de almas sedentas das melhores marcas do pecado. E as igrejas de Deus? Permanecem a tocar o sino, como os mercadores de província que se anunciam com badalos em feiras e mercados… Anote o que eu lhe digo: nos dias de hoje, as públicas virtudes são contrafacção. Só os vícios privados são de marca».
«…verdadeiramente, o que pode Deus contra as mamas de uma actriz de cinema? Nada. Vence sempre a masturbação - o mais antigo vício do mundo. A masturbação é como a confissão, é um acto de profunda intimidade, em que estamos entregues a nós próprios, em que temos de vomitar o que nos implode por dentro…»
«A dimensão de um homem, é inversamente proporcional, ao medo que tem da opinião dos outros homens»
«E ali andava eu na roda das horas, a roubar tempo ao que me dava prazer, para trabalhar sem prazer no que me exigia tempo».
«Quando sabemos correr para um abraço, sabemos o que é uma emoção, sabemos identificar uma ausência. O abraço, é uma extensão de nós à procura de quem nos faz falta. Apertamos alguém contra o peito, para o coração saber que está ali. O abraço sentido é um sorriso de corpo inteiro, pois é sempre o encontro de dois corações que se querem…»
«Saudade? (…) É a presença em nós de alguém que está longe, a sombra que a nossa luz quer apagar».
«Toda a mulher precisa de saber que abre vazios na sua ausência, porque isso significa que preenche espaços quando está!»
«O silêncio é uma palavra muda»
«O silêncio é também uma forma de linguagem. Em determinados momentos as palavras não são precisas! Dois amantes de mãos dadas perante um pôr-do-sol… efectivamente, não precisam de palavras. O silêncio, basta. Mas é o silêncio por ausência de palavras, nunca o silêncio das palavras mudas, palavras amordaçadas, palavras abafadas pela falta de coragem em gritá-las! Quando se trata de sentimentos, não há palavras mudas, só há cobardes com a boca cozida por dentro...»
«O que é um romance? Um vapor de palavras húmidas num texto quente, em que diferentes olhos divisam diferentes recortes no nublado enredo de personagens e emoções…»
«O desejo é a maior fonte de energia de uma pessoa – Santiago sabia disso. Como sabia, que era possível atrair a lua, e aprisioná-la no fundilho dos bolsos, se esse fosse realmente o maior desejo da sua vida. Mas não era. Por ora, o maior desejo era apenas a Laura. Desejava-a mais que a lua…»
«O OUTONO, só tem três cores, diz o Santiago. Três, é uma forma de dizer, há muitas mais, mas para ele aquelas três cores são o Outono. É o que diz à Laura quando vai passear com ela no jardim. Diz-lhe que as cores são o amarelo quente, cor de açafrão, o castanho doce, cor de mel, o vermelho nobre, cor de ameixa. Estas são as três cores de um quadro chamado Outono, e o pintor é o vento, que as mistura, que as mescla sem ordem. O Outono é um quadro sem moldura, pode-se viver dentro dele, diz o Santiago…»
«…o Outono é a sua estação do ano preferida. Porquê? Porque, responde ele, as árvores dançam umas com as outras ao sabor do vento, como se fossem jovens casadoiras num baile de aldeia. E sente-se sempre um rumorejar, como se falassem entre elas. No Verão as árvores são mudas, têm medo que os pássaros oiçam as conversas; mas no Outono ninguém as cala, são tão tagarelas que nem sentem perder as folhas, só quando ficam nuas, cor de Inverno, é que emudecem de vergonha…»
«A erva está sempre a favor do vento, diz o Santiago, como a água do lago, que tem as suas rugas molhadas sempre na mesma direcção. Mas já os patos gostam de contrariar o vento, orgulhosos, de bico no ar, de rabo a dar a dar, vão na direcção contrária às folhas secas que poisam nas águas e navegam. Como barcos, diz a Laura. Como sonhos que não se afogam, diz o Santiago. Mas algumas folhas, encharcadas, essas sim, vão ao fundo das águas. Parecem estrelas-do-mar, diz a Laura. Parecem beijos húmidos, diz o Santiago assaltando-lhe os lábios…»
«As mulheres quando dormem são como uma tela inocente, não temos que as entender, apenas admirar; talvez isso as torne mais belas…»
«Cheirava a sol na janela, como cheirava a sombra fresca no corredor. Cheirava á mobília de madeira, à lenha na lareira apagada, à pele dos sofás, aos sapatos sujos debaixo da mesa e á roupa tombada pelo chão. Cheirava a réstias de incenso, a maças maduras no cesto da cozinha. Cheirava a memórias…»
«Gosto das sombras porque gosto da luz - porque só os corpos iluminados têm sombra verdadeira, aquela sombra que é fiel ao corpo, que corre pelo chão e galga muros, que dança sem pisar…»
«…mulheres são como o globo terrestre, onde se pode viajar na circum-navegação dos sentidos, sempiternamente sem nunca ter um fim…»
«O plural de mim, somos nós! E o plural de agora é, eternamente! Por isso, temos tempo…! Nós temos todo o tempo do mundo!»
«- Por favor, pai, proteja-me no amor, não contra o amor!...»
«… permaneceram abraçados, ouvindo a chuva contra a janela e iluminados pela luz que saia dos seus corpos, até que a pele dele se despiu da pele dela, e as almas iluminadas se dividiram em partes iguais para o corpo de cada um…»
«…as mulheres são um jogo de luz e sombras - as que se perdem na sombra dissipam-se num borrão sem história, mas as que se entregam totalmente à luz também correm o risco de cegar. Precisam de encontrar a linha invisível do equilíbrio emocional…»
«É preciso sofrer o desassossego para apreciar a harmonia»
«Nós somos muitos caminhos e uma longa viagem… passo-a-passo! Por isso devemos permanecer muito tempo dentro nós… precisamos!»
«O silêncio é um suspiro da vida à procura de paz. É no silêncio que respiram as palavras, que podemos meditar e ouvir os outros. É no silêncio que conversamos»
«Acreditamos que o silêncio nos deixa invisíveis, mas pelo contrário, dá-nos visibilidade no ruído da vida. O mundo fica de olhos em nós, a praguejar, à espera de um som»
«Saudade, é sentir o teu cheiro na ausência do teu corpo!»
«Será que os milagres existem? - Claro que existem! Todos os dias! A vida não é mais que um somatório de milagres. Pena que o homem seja arrogante e se esqueça de agradecer!»
«Os seus lábios encontraram os lábios dele e ai se ficaram, quentes, como quem regressa casa depois de emigrado cem anos e acende a lareira; um fogo doce onde ardem todas as agruras esquecidas do caminho e se festeja a júbilo da chegada. Foi o beijo mais doce de todos os beijos»
«A tentação é um desejo mal-educado. Uma ânsia em remoinho, que ou se domina ou se transforma em furacão»
«Despi-a vagarosamente com os olhos, com as mãos, com os lábios. O sexo tinha a elevação de uma eira cheia de trigo queimado e um sendeiro cor de romã. Entrei por ela como um arado esgarçando a terra húmida e senti-lhe a pele por dentro, suave, como um forro de cetim no vestido da sua nudez… suguei um gemido rouco dos seus olhos, antes de eles se fecharem na intensidade do meu beijo com sabor a maçã».
«…respondeu-lhe com um beijo, como se o beijo fosse um registo notarial; tinha a língua como assinatura, e mordeu-lhe o lábio que sangrou como lacre derretido»
«A pele é sem vergonha, pode ser feliz!»
«A vergonha é uma desordem cavada em nós, talvez a mais íntima das emoções, corre pelo sangue, devassa o coração, destila pelos olhos…»
« …descobriu que é impossível odiar a meio tempo, que o ódio é uma ocupação de corpo inteiro, que entra nas pessoas como peçonha e as habita sempre de portas e janelas fechadas, deixando-as sem luz»
«Saudade é um choro de quem tem por quem chorar, a companhia interior de quem se sente só, por fora»
«Quando perdemos o nosso cheiro somos vadios, como cães sem coleira. O nosso cheiro é aquele que sopra da raiz da pele e tem o nosso nome. É a lingerie mais íntima do corpo, que nos veste por dentro e por fora, mesmo quando nus. E como lingerie que é, também fica por vezes perdido nas mãos de outra pessoa, ou entre os lençóis da cama…»
« um beijo doce é um poema que se recorda, é uma canção que nos acompanha, é a folha de uma árvore que resiste a todos os invernos, a toda a chuva, a todo o vento…»
«As lágrimas são o estado líquido de uma mágoa, o escorrer visível de uma dor»
«Pesadelo, é quando o açúcar fica em pedra e em vez de um travo doce nos fere a língua»
«As mães apagam-se na sombra dos filhos mas são as eternas vigilantes da ternura, portadoras de um abraço imenso»
«O teu coração foi feito do meu, bate o teu, bate o meu, bate o teu, bate o meu…», disse ela na mais pura das frases. A filha quase ouviu o bater dos corações nas suas palavras, «bate o teu, bate o meu…», os dois ao mesmo tempo, «bate o teu, bate o meu, bate o teu, bate o meu…»
«O amor, como a vida, precisa de um corpo onde se viva e onde se ame, como um templo»
«Na rua… as mulheres gostam de ser notadas mas não olhadas, sentidas mas não despidas…»
«Ele jogava às escondidas no corpo dela, e ela mostrava-se feliz com aquele formigueiro no íntimo resguardo do corpo, que mais parecia um fruto vermelho, possuído. Havia um cheiro a prazer na cama, lençóis sujos da sujidade mais limpa dos corpos, e murmúrios que ficavam exaustos de uma noite para a outra»
«…uma mulher inteligente, quando faz perguntas a um homem, já sabe todas as respostas»
«O amor é uma ridícula invenção dos poetas. O desejo é a invenção da natureza. O amor enleva os homens como uma oração, mas a natureza é a imagem mais próxima de Deus - poder supremo. O amor, seja o que for, será sempre um derivado do desejo»
«Perfeitas são as pessoas que ainda não conhecemos. Na vida real todos somos imperfeitos. Amar alguém, é ter a capacidade de amar esse alguém até à imperfeição, beber-lhe a imperfeição, tocar-lhe na imperfeição e, ainda assim, gostar do seu gosto, ansiar pelo seu toque».
«O perdão implica que um se arrependa e o outro se esqueça, duas premissas nem sempre conciliáveis»
«…quando o homem pede perdão só com a boca, a mulher perdoa só com os lábios…»
«A sexualidade numa mulher começa na cabeça e prolonga-se pela pele como um horizonte em que se funde o mar com o céu infinito. A mulher é um pensamento com pele»
«…a mulher é um pensamento com pele, um país infindo que temos de aprender a conhecer descalços no chão molhado. Um bom amante é o que sabe beber-lhe o ser e caminhar em toda a extensão da sua pele sem quebranto…»
«… adormeceu a seu lado no bafo cansado dos beijos…»
«Perfeitas, são as pessoas que ainda não conhecemos. Na vida real todos somos imperfeitos. Amar alguém, é ter a capacidade de amar esse alguém até à imperfeição, beber-lhe a imperfeição, tocar-lhe na imperfeição e, ainda assim, gostar do seu gosto, ansiar pelo seu toque»
«O perdão implica que um se arrependa e o outro se esqueça, duas premissas nem sempre conciliáveis. Assim que, quando o homem pede perdão só com a boca, a mulher perdoa só com os lábios - assiste-se então a um entremeio, mas nunca a um fim...»
«Sexo pelo sexo é apenas o atulhar de um oco - o banquete de um côncavo dentro do convexo»
«Sexo pelo sexo é apenas o atulhar de um oco - o banquete de um côncavo dentro do convexo. Esquece o cono da mulher… é apenas um aeroporto. Podemos aterrar mil vezes num aeroporto e não conhecer o país, como podemos entrar mil vezes uma mulher e não a conhecer…»
«A sexualidade numa mulher começa na cabeça e prolonga-se pela pele como um horizonte em que se funde o mar com o céu infinito. A mulher é um pensamento com pele»
«Os olhos são a janela da tentação, não a porta do prazer. O beijo é o passaporte dos sentidos, fundamental para escolher a viagem»
«Aos poucos foi-lhe perdendo o temor e fez-se bandeirante nas planícies da sua pele; marcou com os dedos nocturnos a tomada do território e demarcou com os lábios os charcos em que a lua bebia saliva»
«O cheiro da pele muda com o respirar de um beijo, como o odor matinal das flores muda com o orvalho»
«Visto do céu o mundo é mais bonito, mas o bonito é viver no mundo sem perder o céu…»
«Na nossa casa diferenciamos o cheiro dos livros já lidos dos livros por abrir»
«Tinha aprendido a amar a Emília, a amar no sentido mais carnal do termo, caminhando descalço no chão molhado da sua pele imensa, conhecendo-a como se conhece um país, andando a pé nas bermas do caminho, conhecendo-a poro a poro…»
«Quem se dá com gente baixa, fica corcunda…!»
«Precisava de um abraço dela, pensou ele; precisava de um abraço dele, pensou ela; e, silenciosos, dormiram desabraçados na cama fria, podiam morrer ali, próximos e distantes, incapazes de estender a mão. Desabraçados…»
«Todas as pessoas que não conhecemos são perfeitas»
«O casamento transformara-se numa conversa de surdos com dois dedos em riste a sangrar os olhos; tornara-se uma conversa de surdos e de cegos. Amar por vezes não chega para duas pessoas que se amam, para duas linhas rectas, paralelas, distantes, rumo ao infinito»
«O beijo parecia desmedido, tinha o tamanho de uma saudade imensa; havia séculos de ausência dentro das suas bocas»
«Hoje, quero apenas despir-te um beijo»
«O desejo é uma religião - não de crentes, mas de animais. Não te convertes, nasces assim, é o instinto básico da tracção dos corpos que nos permite a procriação e a sobrevivência – as pessoas que não têm desejo são infiéis à sua própria espécie. Têm por isso de ser baptizadas no santo sacramento do prazer, que lhes arranca o pecado original do pudor, e lhes dá a liberdade do seu corpo.»
«Ao contrário do que a Igreja sempre pregou, Deus não é amor, é desejo. Porque a ideia mais próxima que temos de Deus, é a mestria da natureza de que fazemos parte!»
«A dor sofrida é eterna, sempiterna, e o revisitar da dor é um sofrimento sem-fim, eterno, sempiterno»
«As mulheres gostam de olhar para uma traição como uma coisa sórdida – é mais fácil sentir nojo e até mais fácil de relevar. Mas que uma traição seja um acto sublime de amor com outro alguém, nenhuma mulher tem capacidade para perdoar – queima como um ferro em brasa. Porque a pele conspurcada lava-se com água e sabão, mas as marcas da alma, não!»
«Não era feliz contigo. Mas nunca serei feliz sem ti»
«Só reconhecemos o lugar que alguém ocupa em nós, quando medimos o tamanho do vazio que a sua ausência nos provoca»
«Ela não o fazia feliz mas era a sua imperfeita felicidade. Só o facto de existir a seu lado era uma alegria suspensa, como uma nuvem, sempre alimentando a esperança de o fazer feliz num dia de chuva»
«Os perfeitos são uma superfície lisa por onde escorregamos, caímos, onde o nosso corpo se não amarra. Demorei a perceber que há uma poesia na imperfeição, porque há curvas e recurvas, altos e baixos, âncoras a que me agarro, arribas onde me engancho. Só é possível estar com alguém quando as nossas imperfeições se encaixam, quando esse atrito nos prende. Os perfeitos são uma superfície lisa por onde escorregamos, caímos… nos perdemos!»