A FORÇA DA LUSO-BRASILIDADE

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Paisagem da cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil. Igreja de Sao Francisco de Paula de estilo português no cimo da montanha.
João Morgado e Ígor Lopes In: "ENLACES CULTURAIS BRASIL-PORTUGAL", 
Coordenação de Urbano Sidoncha e António Albino Canelas Rubim, 2021,
Edicções: Documenta (Portugal) e Editora da Universidade Federal da Bahia (Brasil) __________________

“ENLACES CULTURAIS BRASIL-PORTUGAL”

Participação:

Adriano Oliveira Sampaio
Antonio Albino Canelas Rubim
Fernanda Coelho
Giuliana Kauark
Ígor Lopes
João Morgado
José Eduardo Franco
José Roberto Severino
Laura Bezerra
Luiz Eduardo Oliveira
Mariana Pinto Miranda
Miguel Real
Onésimo Teotónio Almeida
Paulo André Lima
Paulo Serra
Rita de Cássia Aragão Matos
Urbano Sidoncha

 

A FORÇA DA LUSO-BRASILIDADE

João Morgado   ||   Ígor Lopes

 

 

Resumo

Brasileiros e portugueses mantém laços históricos inegáveis, incontornáveis. Com o passar dos anos, esses dois povos uniram-se. A afetividade tornou-se no aspeto central dessa conexão. Surge assim a luso-brasilidade, uma “condição” capaz de traduzir a existência de um novo “povo” que conta com brasileiros, portugueses, lusodescendentes e luso-brasileiros. As entidades culturais de raiz portuguesa no Rio de Janeiro (a título de exemplo) ajudam a dar vida a essa característica tão única. Somos um só povo, rodeado de história e aptidão por evoluir, sentir o que somos. *

INTRODUÇÃO

A ligação entre Portugal e Brasil e a integração sociocultural entre as duas nações, será sempre tema de análise. Uma das formas de inclusão com maior sucesso acontece no campo afetivo, onde gerações procuram conexões entre o passado e o presente da sua família, com tudo o que isso acarreta de história humana e de elos inquebráveis.

“Tenho antigas ligações com Portugal, a começar porque tenho um bisavô nascido em Vila Nova de Gaia, lá no Porto”, referiu o ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso quando foi condecorado na Casa de Portugal de São Paulo, em 2014. “Eu nasci no Rio, e nessa época no Rio a imprensa portuguesa era muito forte, o sotaque carioca era muito mais próximo com o modo de falar do português. Minha avó falava muito aportuguesadamente e quando era menino ainda íamos ao teatro e os atores falavam em português de Portugal.”[1]

Ígor Lopes: Doutorando em Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior (UBI), em Portugal. Mestre em Comunicação e Jornalismo pela Universidade de Coimbra (UC). Especialista em Gestão de Redes Sociais e Comunidades pela Universidade de Guadalajara, no México. Licenciado em Comunicação Social pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso, no Rio de Janeiro.

Os brasileiros gostam de sublinhar a lusobrasilidade que carregam e os portugueses gostam de evidenciar e acarinhas as suas raízes lusas. Esta realidade é mais presente na comunidade lusa no Brasil, fruto de décadas de emigração, mas está a iniciar-se um processo semelhante com a crescente comunidade brasileira emigrante em Portugal. As revoluções sócio-económicas da américa do sul e da europa, com as consequentes mudanças demográficas, vieram também alterar os fluxos migratórios entre Portugal e Brasil, o que alterou a maneira como sempre nos olhámos, e a maneira como nos relacionamos agora.

Se a história foi marcada pela emigração portuguesa para o país-continental que é o Brasil, assistimos agora ao reverso, com franjas do grande Brasil a emigrar para o pequeno Portugal, carente de população jovem e activa, e a acenar com alguns luxos de país europeu. São quase 151 mil os brasileiros a viverem em Portugal. O número (150.864) é o maior de sempre, garante o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, cujos números provisórios, fornecidos ao Público[2], apontam para um aumento de 43% no número de autorizações de residências dadas a cidadãos nascidos no Brasil entre 2018 e 2019. Há dois anos, havia 105.423 brasileiros residentes.

Hoje, é cada vez mais visível que o que sentimos move a nossa razão, faz-nos olhar para os dois lados do oceano de forma diferente, mas com convergências afetivas muito claras. Somos desproporcionadamente diferentes em tudo, mas, ainda assim, por vezes, sentimo-nos como um só povo. É a vivência real de uma luso-brasilidade. Um paradoxo intrínseco nesse sentimento íntimo que só vai no peito de brasileiros e portugueses que, ao chegarem ao topo da “montanha” descobrem, afinal, que são uma só voz.

Professor e doutorando em Comunicação na Universidade da Beira Interior (UBI). Tem mestrado em Estudos Europeus pela Universidade de Salamanca, na Espanha, e pós-graduação em Marketing Político pela Universidade Independente/ Universidade de Madrid. Membro do Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão. Poeta e romancista. Presidente da Casa do Brasil – Terras de Cabral.

Tomemos como exemplo, a recém-criada agência de notícias [3]«Incomparáveis», com sede no Rio de Janeiro, Brasil, que conecta os dois países numa base de informação afectiva. Mais que o acontecimento, o escândalo, a tragédia, o imediato que tanto absorve os media de todo o mundo, concentra-se em secções como “o que nos envolve”, ou “o que nos apaixona”. Emoções e sentimentos como amizade, afeição, admiração, amor, estão presentes no contexto psicológico que conecta, e enfatiza, a nação luso-brasileira. Até mesmo o ódio e as criticas de um passado colonialista, são linhas emotivas que fazem parte de uma história conjunta.

Conceito próprio e único!

Neste trabalho, vamos analisar como as entidades regionais portuguesas presentes no Brasil -, e mais concretamente no estado do Rio de Janeiro -, e que se mostram fundamentais para alimentar a ligação genuína entre Brasil e Portugal, entre passado e futuro. E como, na Europa, e em Portugal, as Casas do Brasil, apostam em manter comunidades vivas, arreigadas a uma multicultura brasileira intensa. Afinal, é mesmo forte essa tal “luso-brasilidade”?

O papel das entidades regionais

Um dos principais eixos que norteiam a conexão afetiva e cultural entre países são as entidades que, nos países de acolhimento, promovem a cultura do país de onde são originárias as suas raízes. No caso concreto luso-brasileiro, as casas portuguesas no Estado do Rio de Janeiro desenvolvem um papel fundamental na forma como, desde a América do Sul, brasileiros e lusodescendentes enxergam Portugal e as suas tradições.

Trataremos, a partir deste ponto, de ressaltar as principais casas portuguesas no estado fluminense, tendo como critério as que concentram, ao longo do ano, o maior número de frequentadores, portugueses ou não, amantes da cultura portuguesa, ou apenas curiosos.

Um pedaço de Portugal no Rio de Janeiro

Todas as casas portuguesas no Rio de Janeiro, com raríssimas exceções, desempenham funções de promoção cultural de Portugal – atividades desportivas, eventos sociais, encontros culturais. A título de exemplo, realçar o trabalho dos ranchos folclóricos, que promovem a música e os costumes lusos, quando grande parte dos seus integrantes são luso-descendentes e já com poucas (ou nenhumas) ligações com Portugal, a não ser o fio emocional ao país de origem da sua família. E não há festas de portugueses, no seu conceito alargado, que não tenha a comparência de brasileiros, já que as interligações são fortes e impossíveis de separar, quer seja pela amizade, pela vizinhança, pela colaboração cultural, etc….

A força do movimento associativo é prova de que essa integração Brasil-Portugal está presente e auxilia na chamada luso-brasilidade. Três entidades muito respeitadas no Rio são o Real Gabinete Português de Leitura, o Liceu Literário Português e a Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Caixa de Socorros D. Pedro V (1868), que, durante muitos anos, funcionaram de forma isolada. Para que o governo português pudesse garantir que estas instituições renomadas não tivessem o seu futuro ameaçado em virtude das ações do seus futuros gestores, aconteceu, no dia 10 de dezembro de 2018, nas instalações do Liceu Literário Português no Rio de Janeiro a apresentação pública da [4]Associação Luís de Camões (ALC), constituída a 14 de maio desse mesmo ano.

[5] Fundada pelo Intituto Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e por três instituições históricas de raiz portuguesa no Rio de Janeiro – Real Gabinete Português de Leitura (1837), Liceu Literário Português (1868) e Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Caixa de Socorros D. Pedro V (1868) –, a ALC tem como objetivo “zelar pela proteção, preservação e valorização do património material e imaterial que compõem o acervo cultural, social, educacional e histórico lusitano” agregado às três instituições brasileiras.

Cada umas dessas três instituições desenvolve um trabalho diferente na manutenção do legado do nome de Portugal no Brasil.

Real Clube Português de Leitura: João Morgado e o presidente Francisco Gomes da Costa, admirando o manuscrito de Camilo Castelo Branco – “Amor de Perdição.”

REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA[6] Em 14 de maio de 1837 – somente a 15 anos depois da Independência do Brasil – um grupo de 43 emigrantes portugueses no Rio de Janeiro, reuniu-se na casa do Dr. António José Coelho Lousada, na antiga rua Direita (hoje rua Primeiro de Março), nº 20, e resolveu criar uma biblioteca para ampliar os conhecimentos dos seus sócios e dar oportunidade aos portugueses residentes na então capital do Império de ilustrar o seu espírito. Entre esses homens, cuja maioria era composta por comerciantes da praça, alguns intelectuais que tinham sido perseguidos em Portugal, pelo absolutismo, e que tinham emigrado para o Brasil. Era o caso de José Marcelino Rocha Cabral, advogado e jornalista, que foi eleito primeiro presidente da instituição.

A seguir o exemplo dos “gabinetes de leitura” de raiz portuguesa, e ainda na segunda metade do século XIX, surgiram, impulsionados pela maçonaria e pela república positivista, em várias cidades do interior do Estado de São Paulo, instituições semelhantes que também eram denominadas “gabinetes de leitura” e que foram transformadas depois em bibliotecas municipais.

De acordo com o que podemos explorar em termos históricos nos documentos de época, é por essa altura que os dirigentes começam a pensar em construir uma sede de maiores dimensões e condizente com a importância da instituição. Para esse fim, é adquirido um terreno na antiga rua da Lampadosa. E as comemorações do tricentenário da morte de Camões (1880) foram o grande pretexto para motivar a “colónia” portuguesa e levar adiante o projeto. Portugal atravessava crises medonhas: eram os déficits da Corte e a ameaça das grandes potências às colónias da África; eram as mazelas de uma sociedade que não reagia às críticas e farpas dos “vencidos da vida”; eram os “escândalos do tabaco” e as lutas dos partidos; eram os “cortejos do bacalhau” na baixa-lisboeta para depreciar a Epopeia quinhentista; era a falta de interesse pelas ideias novas que vinham da Europa, a apatia do zé-povinho retratado nas caricaturas mordazes de Bordalo Pinheiro. O projeto escolhido foi o do arquiteto português Rafael da Silva Castro, com o seu traço neomanuelino a evocar a epopeia camoniana.

Em 1900, o Gabinete Português de Leitura transforma-se em biblioteca pública – qualquer um do povo pode ter acesso aos livros da sua biblioteca[7]. Em 1931, é realizado no Real Gabinete o 1º Congresso dos Portugueses do Brasil, quando se procura imprimir uma certa unidade aos movimentos da colónia, com a criação da Federação das Associações Portuguesas. O seu primeiro presidente foi Carlos Malheiro Dias, e mais 80 associações de todo o Brasil ficam integradas no organismo federativo que passa, por “tácito consenso”, a ser o porta-voz das aspirações e anseios coletivos.

CENTRO DE ESTUDOSO Real Gabinete conta também com um [8]Centro de Estudos, criado em 1969, tendo como finalidade “a realização de cursos, conferências, palestras, congressos etc., bem como promover o intercâmbio e a colaboração com universidades e institutos culturais e artísticos do país e do exterior”.

LICEU LITERÁRIO PORTUGUÊS –  O Liceu Literário Português foi fundado em 10 de setembro de 1868 [9] por um grupo de portugueses, à frente dos quais estava o Conde de Alto Mearim, com a finalidade de “difundir a cultura e promover o ensino e a instrução, principalmente junto aos portugueses mais jovens que chegavam ao Brasil com conhecimentos limitados e ainda sem uma profissão definida”. [10]Era a época dos Liceus de Artes e Ofícios. Além dos cursos do 1º e do 2º grau, ainda no século XIX, o Liceu também ministrou cursos de Astronomia e Arte Náutica. O Imperador D. Pedro II chegou a frequentar algumas aulas desses cursos.

Trata-se de uma instituição[11]  sem fins lucrativos, de caráter filantrópico, reconhecida como de utilidade pública, e, hoje, os seus objetivos principais são: promover e manter o ensino e a pesquisa da Língua Portuguesa, através de cursos, palestras, conferências, edições de livros didáticos, apostilas, etc.; desenvolver projetos culturais, científicos, técnicos e artísticos, sobretudo os relacionados com a lusofonia; colaborar no intercâmbio universitário e académico entre os países de Língua Portuguesa; criar e manter cursos universitários ou de pós-graduação, especializados em Língua Portuguesa e História Luso-Brasileira; editar periodicamente a revista “Confluência” voltada essencialmente para temas linguísticos; manter o Centro de Estudos Luso-Brasileiros[12], que integra as seguintes unidades:1) Instituto de Língua Portuguesa; 2) Instituto Luso-Brasileiro de História; 3) Instituto de Estudos Portugueses Afrânio Peixoto; 4) Instituto Luso-Brasileiro de Folclore.

CAIXA DE SOCORROS D. PEDRO[13] A Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Caixa de Socorros D. Pedro V[14], é uma associação filantrópica criada por imigrantes portugueses na cidade do Rio de Janeiro. Foi fundada em 1863, a partir de uma ideia do escritor Reinaldo Carlos Montoro, exposta aquando da inauguração de uma estátua de Pedro V de Portugal, no Real Gabinete Português de Leitura. A finalidade era possibilitar a existência de uma “associação centrada nos socorros mútuos e não na fundação de hospitais, diferenciando-se assim da Beneficência Portuguesa”.

No início das suas atividades, a Caixa de Socorros “ocupou-se dos compatriotas em estado de extrema necessidade e abandono”. A partir de uma reforma dos estatutos realizada em 1871, a Caixa passou a contar com um consultório médico e farmácia, aos quais acorriam “pessoas de todas as nacionalidades”. Os sócios da Caixa de Socorros eram em geral ligados ao comércio. Em 1897, recebeu o título de “Sociedade Benemérita”, e o rei D. Carlos concedeu-lhe o título de “Real” em março de 1902. Em 27 de julho de 1972, foi feita Membro-Honorário da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal.

CÂMARA PORTUGUESA DE COMÉRCIO E INDUSTRIA DO RIO DE JANEIRO –[15] A Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro é uma associação civil, sem fins lucrativos e de direito privado, voltada para o “incremento das relações comerciais, tecnológicas, sociais e culturais entre Portugal e o Rio de Janeiro que visa apoiar a realização de negócios internacionais, aproximando empresas que buscam uma inserção competitiva no cenário global”.

Essa Câmara Portuguesa[16], que é já centenária, assume, crescentemente, um “papel preponderante no estreitamento das relações económicas desenvolvidas entre Portugal e o Brasil”. [17] Os elementos comuns que aproximam os dois países, sobretudo o idioma, a cultura e a história, favorecem claramente a consecução de novos negócios e a geração de oportunidades promissoras. “Some-se, a isso, a localização privilegiada de Portugal, considerado a “porta de entrada” na Europa, o que permite o desenvolvimento de estratégias de internacionalização em relação a toda a União Europeia, em função da existência de um espaço económico comum.

AROUCA BARRA CLUBE – Esta casa portuguesa defende a cultura da região de Arouca. [18]O corpo social do clube é formado por imigrantes portugueses, seus descendentes e por brasileiros, em geral “grandes” comerciantes e industriais, predominando os oriundos da região de Arouca. Por conseguinte, pertencer a esta associação “não passa exclusivamente pela origem regional e nacional do associado”, mas pela disposição em “manter e divulgar as tradições arouquenses”, assim como desenvolver uma série de relações políticas e económicas com a sociedade luso-brasileira. Segundo a direcção, a associação surge como resposta aos muitos arouquenses que se queixavam do facto de se reunirem apenas “em alguns casamentos, funerais ou missas de sétimo dia” [19]

CASA DA VILA DA FEIRA E TERRAS DE SANTA MARIA[20]A ideia da fundação dessa casa, que defende a cultura da Vila Feira, nasceu de uma visita que o Comendador Manuel Lopes Valente fez à sua terra natal, freguesia de Sanfins, no Concelho da Vila da Feira, em 1951/52, depois de uma ausência de 24 anos. Logo que chegou ao Rio de Janeiro, contactou alguns amigos a quem pediu ajuda para fundar uma casa que funcionaria como uma espécie de “Consulado das Terras de Santa Maria da Feira”. A sua fundação foi concretizada em 12 de julho de 1953.

CASA DAS BEIRAS – Uma das mais emblemáticas entidades de promoção da cultura portuguesa no Brasil. Localizada no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio, mensalmente, o seu corpo diretivo organiza uma programação que conta com eventos que reúnem dezenas de visitantes e associados. Fundada em 19 de novembro de 1953, é caracterizada por concentrar e perpetuar [22]”…das belezas beirãs, a referência da sacrossanta ascendência de Portugal, a lembrança da figura heroica e gloriosa de Viriato, que regou com o seu próprio sangue as atraentes e florescentes terras da Lusitânia”. A sua direcção considera que a Casa das Beiras “sempre foi uma Casa na comunidade de divulgação de cultura e arte, devido às suas parcerias com a Academia de Letras e Artes Paranapuã (ALAP), entre outras. É a única Casa fora do Continente inaugurada por um Presidente da República.

CASA DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO [23]Fundada em 1923 como “Centro Transmontano” e com o ideal de congregar os filhos da província de Trás-Os-Montes, “divulgando a pátria, difundindo essa história por meio de palestras, conferências, publicações e organizando uma biblioteca constituída de autores Transmontanos, assim nasceu a nossa Casa de Trás os Montes e Alto Douro”.

CASA DO DISTRITO DE VISEU [24]“Em julho de 1966, durante uma festa de casamento, um grupo de naturais do Concelho do Sátão idealizou ter um local onde se pudessem reunir. Assim, surgia a Casa Do Distrito De Viseu, cujo primeiro prédio começou a ser edificado em dezembro daquele ano. Desde a sua fundação, Casa do Distrito de Viseu “sempre apresentou-se como uma verdadeira embaixada da região. Recebe nas suas instalações “incontáveis grupos de folclore, de teatro, bandas de música, orfeões e tunas universitárias têm vindo de Portugal, de Estados brasileiros e até de outros países. E, ainda, desempenha ininterruptamente diversas atividades desportivas e algumas conquistas como no futebol de salão, na natação e nas lutas marciais”.

João Morgado recebe o diploma de sócio-honorário da Casa do Minho (RJ), em 2017.

CASA DO MINHOConsiderada “uma casa genuinamente portuguesa, pronta para receber a todos de braços abertos”, a [25]Casa do Minho foi criada com a missão de “divulgar a tradição minhota e a gastronomia portuguesa”. Nas atividades desenvolvidas pela Casa, “são valorizados os mais diversos aspetos dos povos da tradicional Região do Minho, como a cultura, língua, religião, costumes etc.

Fundada em 8 de março de 1924, a Casa do Minho destaca-se por ser uma sociedade civil autónoma, de direito privado e sem fins lucrativos. [26]Tem por objetivo: Promover a fraternidade luso-brasileira; Desenvolver a prática de atividades desportivas, recreativas, culturais e sociais; Difundir o culto à comunidade lusíada; Lutar pelos interesses da Região do Minho, ao Norte de Portugal (que compreende as cidades do Minho, Braga, Viana do Castelo, Barcelos e Guimarães), tornando conhecidas as sua história e belezas naturais e divulgando também o seu folclore; Manter vivas as tradições daquela região de Portugal, por meio das atividades dos três ranchos folclóricos, que são: Rancho Maria da Fonte, Rancho dos Veteranos e Rancho Juvenil e Valorizar a gastronomia portuguesa, oferecendo pratos e doces típicos em nosso restaurante.

CLUBE DE REGATAS VASCO DA GAMAÉ uma entidade sócio-polidesportiva brasileira com sede na cidade do Rio de Janeiro, fundada em 21 de agosto de 1898 por um grupo de remadores. Inspirados nas celebrações do quarto centenário da descoberta do caminho marítimo para as Índias, ocorrida em 1498, batizaram a nova agremiação com o nome do herói português que alcançou tal feito, o navegador Vasco da Gama.[27]

Apesar de ter sido fundado como um “clube de regatas”, consagrando-se no remo como um dos maiores campeões do país, o Vasco da Gama ainda abrange outras modalidades como atletismo, vólei de praia, basquete, futebol de areia, dentre outros, tendo como desporto mais tradicional o futebol. O “Vasco da Gama” foi o primeiro clube do Brasil a lutar contra preconceitos raciais e sociais, tendo sido o primeiro na história dos clubes desportivos do Brasil a ter elegido um presidente “não branco”. Em 1904, numa época em que o racismo contra negros era prática comum no desporto, os vascaínos elegeram o mulato Cândido José de Araújo.

CASA DOS AÇORES – Uma uma das principais características do povo açoriano é a imigração e foi no século XX que atingiu as suas maiores taxas, principalmente para os EUA, mas também em grande número para o Brasil. [28] Na década de 1950, o Estado do Rio de Janeiro já contava com mais de 30 mil açorianos, concentrados principalmente na capital, sendo empresários e comerciantes. O escritor Vitorino Nemésio, na sua primeira passagem pelo Brasil, em 1952, é o grande incentivador da formação de uma Casa Regional que congregasse os açorianos e suas práticas culturais.

CASA DE PORTUGAL DE VOLTA REDONDA [29]Em 1980, a comunidade portuguesa em Volta Redonda, município brasileiro do estado do Rio de Janeiro, “se fazia presente na figura de vários imigrantes que mantinham vivas as lembranças e as tradições da Terra Natal”. Sempre que se reuniam, “ao sabor de um bom vinho português, ao som de violas e concertinas recordavam num fado, numa rusga, cana verde ou num vira, um passado saudoso e marcante”. Nestas reuniões, surgia constantemente a ideia de fundar uma entidade onde pudessem cultivar e manter as tradições lusitanas, na cidade de Volta Redonda. O que veio a acontecer a 22 de abril de 1980. “Portugueses, brasileiros e os cidadãos de bem se uniram, edificaram e fizeram parte desta entidade onde não se discrimina raça, cor, opiniões políticas e crenças religiosas. (…) A Casa de Portugal tem por princípio fundamental congregar cidadãos dignos de elevada reputação moral e social, tornando-os conhecidos e irmanando-os nos princípios da solidariedade humana. Também visa à preservação dos costumes portugueses, através da dança, da música, da gastronomia e da cultura portuguesa. A casa de Portugal é um privilégio de todos”.

REAL SOCIEDADE CLUBE GINÁSTICO PORTUGUÊS [30]A Real Sociedade Clube Ginástico Português destaca-se por ser um clube localizado na cidade do Rio de Janeiro. Fundado em 1868 por imigrantes portugueses, está sediado num edifício em estilo art déco na Av. Graça Aranha 187, no centro da cidade. O clube tem como objetivo “dinamizar as atividades esportivas, artísticas, culturais e sociais, promovendo a integração da comunidade Luso-Brasileira”. Foi criado por iniciativa de dois irmãos portugueses, João José Ferreira da Costa e António José Ferreira da Costa. A data escolhida para a fundação, 31 de outubro de 1868, coincidiu com o aniversário do rei D. Luís I de Portugal[31].

CLUBE PORTUGUÊS DE NITERÓI [32]O Clube Português de Niterói, fundado em 02 de fevereiro de 1960, concentra boa parte dos portugueses e lusodescendentes que se instalaram na cidade de Niterói, no estado do Rio. [33]Entre as opções de lazer da cidade de Niterói, (…) aos associados do Clube Português são oferecidas variadas atividades desportivas e festividades, destacando-se bailes e festas tradicionais. O sonho dos seus 23 fundadores tornou-se numa realidade nos anos 1960.

João Morgado no Grémio Português de Nova Friburgo, na apresentação do livro “Vera Cruz”

GRÉMIO PORTUGUÊS DE NOVA FRIBURGOO Grémio Português de Nova Friburgo está localizado na região serrana do estado do Rio de Janeiro. [34]Fundado em 1933, o Grémio Português sublinha estar comprometido em valorizar a cultura portuguesa no meio da sociedade friburguense. A ideia é “manter viva a cultura portuguesa, especialmente daqueles que colonizaram as terras do Morro Queimado e buscar novas orientações para guiar os portugueses, os seus descendentes e a comunidade a uma nova era”.

CASA DOS POVEIROS[35]A ideia da criação de uma “Casa dos Poveiros” no Rio nasceu em 1929 na casa do alfaiate João Figueiras. Para começar, a Associação dos Empregados do Comércio do Rio cedeu o seu salão Nobre. Seguiram-se salas na Rua da Misericórdia, Mercado de São José e Constituição. Finalmente, no Conselho Diretor de Álvaro Silva, foi adquirido o palacete da Rua do Bispo, na Tijuca, atual sede.

CASA DO PORTO [36]A Casa do Porto, fundada em 2 de agosto de 1945, tem por objetivo “manter viva as tradições da Cidade do Porto e as suas freguesias, através da cultura portuguesa. A Casa do Porto, com as suas fulgurantes atividades sociais, foi, pela Prefeitura da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, como Governo, considerada de Utilidade Pública”.

ORFEÃO PORTUGUÊS [37]Segundo nomes ligados ao clube, os registos de surgimento da instituição remontam a 25 de julho de 1915, quando foi fundado o “Recreio Dramático Juventude Portugueza”. No mês de agosto desse mesmo ano, foi criado um coral que funcionou como incentivador musical, com apresentações no Teatro Municipal do Rio e São Paulo. O sucesso dessa iniciativa garantiu a alteração do nome da entidade para “Orfeon Club Juventude Portugueza”, passando mais tarde a se chamar “Clube Orfeão Português”.

“O local recebia autoridades portuguesas e brasileiras. Em 25 de junho de 1922, o clube recebeu a visita dos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral, após a viagem pioneira da travessia do Atlântico.”

 

O caminho inverso?

E se no Brasil a cultura portuguesa é perpetuada e valorizada por portugueses, lusodescendentes, luso-brasileiros e brasileiros, do chamado outro lado do Atlântico, em solo português, faz sentido que a cultura tupiniquim, ou mesmo a luso-brasileira, seja também tema suscetível de defesa por meio de associações empenhadas em demonstrar que, também em Portugal, o Brasil tem uma cultura apreciada, capaz e bem capaz de ser preservada, difundida.

É esse o mote que fez nascer, a Casa do Brasil de Lisboa, uma associação de imigrantes sem fins lucrativos, fundada em Janeiro de 1992 por brasileiross residentes em Portugal, mas que se diz aberta a amigos do Brasil de “todas as nacionalidades”. Nos seus estatutos defendem como um papel que vai além do cultural e tem um cunho político marcante. “Um trabalho ativo na reflexão e implementação das políticas públicas, assumindo um papel fundamental de ativismo e reivindicação de políticas igualitárias para as comunidades imigrantes em Portugal. Desenvolvemos projetos com ações que pretendem promover o acesso aos direitos e aos serviços de forma igualitária para as pessoas imigrantes. Além do trabalho de intervenção social e de ativismo, promovemos a valorização da multiculturalidade, da interculturalidade e a integração por meio da cultura”.

Já no ano de 2020, nasce a Casa do Brasil – Terras de Cabral [38], com sede em Belmonte, onde nasceu Cabral. Integra portugueses na sua fundação e recusa ser “uma associação de brasileiros para brasileiros, a falar num circuito fechado”. No dia 7 de setembro, data que assinala a independência do Brasil, a recém-criada entidade reuniu os seus órgão sociais e outros participantes, num jantar convívio. O evento foi apadrinhado pelo embaixador do Brasil em Portugal, Simas Magalhães, que exortou os compatriotas radicados na região a não perderem de vista “o que portugueses e brasileiros construíram juntos”.

“Interação sociocultural”

A entidade avalia que “o trabalho central dessa nova associação é promover a conexão entre brasileiros e portugueses, reforçar a interação sociocultural entre Brasil e Portugal e promover a região em torno de Belmonte, berço de Pedro Álvares Cabral, figura que oficializou as terras do Brasil para o reino de Portugal”. Ao contrário de outras associações existentes em Portugal (e no resto da Europa), a Casa do Brasil – Terras de Cabral, é constituída por portugueses e brasileiros. Segundo a direcção, “a ideia não é manter a comunidade agregada num gueto, pelo contrário, é facilitar a sua integração na sociedade portuguesa e ajudar a potenciar o seu valor. É preciso quebrar alguns preconceitos e resistências, e evidenciar que uma grande parte da nova emigração brasileira nos oferece gente com formação superior, com capacidade económica e com a juventude que falta ao nosso tecido social… vamos dar a conhecer exemplos fortes de emigrantes que estão a desenvolver grandes investimentos na região, que trabalham na investigação científica, que são activos culturalmente… e mostrar que temos muito a ganhar na sua integração!”[39]. Ou seja, mais que manter viva a cultura e vivência do Brasil, há uma preocupação de que, tal como no Brasil, a comunidade brasileira seja respeitada e integrada de uma forma difusa e enriquecedora pelo tecido social português. E é um trabalho para ser continuado por esta e outras associações, criadas e a criar, até para contraponto aos movimentos nacionalistas que estão a crescer um pouco por toda a Europa. Medidas a pensar no futuro pois se este fluxo do Brasil para Portugal é uma propensão mais recente e com menos lastro histórico, também aponta para uma tendência crescente nas próximas décadas. O coordenador do Observatório da Emigração defendeu em 2018, que Portugal “precisa desesperadamente”[40] de imigrantes e, para resolver o problema de falta de mão de obra e deve facilitar a entrada de estrangeiros e fazer campanhas de recrutamento no exterior. Assim, os emigrantes do espaço lusófono têm sempre uma vantagem que é a da língua, o conhecimento e reconhecimento cultural – veja-se a difusão em Portugal das telenovelas ou da música brasileira (não só MPB). Esta miscigenação cultural de décadas facilita a integração. A Casa do Brasil – Terras de Cabral visa harmonizar o trabalho que já está a ser desenvolvido por outras entidades e tentar colmatar lacunas existentes:

Edição portuguesa

“Na Beira Interior temos mais de quatro mil brasileiros. É muita gente e com forte tendência para aumentar. Temos a ideia de que somos países irmãos, a mesma língua, a mesma cultura… mas, não é assim tão básico”[41], refere o presidente da Casa do Brasil. “É preciso entender que o Brasil é um país continental onde cabe quase toda a Europa. Cada estado é como um país diferente e, quando falamos da comunidade brasileira que chega até nós, falamos de um conjunto de pessoas com origens muito diferentes, com status económicos diferenciados, formações académicas variadas. O emigrante da Bahia não é o mesmo de Espírito Santo que é mesmo ao lado, e muito menos é o emigrante Santa Catarina, mais ao sul… A família que vem procurar trabalho para recomeçar a vida, não vive a mesma realidade da família de empresários que vem para investir em Portugal, ou dos académicos que querem desenvolver investigação no nosso país… Entre nós, não há uma Comunidade Brasileira, existem várias. Por isso falo da necessidade de encontrar diferentes respostas e harmonizar o trabalho que está a ser feito.”

Este é um encontro de duas vontades. Portugal necessita de rejuvenescer a população com famílias jovens, em idade activa, e de fácil integração. No Brasil, ou em certos estados, algumas famílias brasileiras procuram um espaço que lhes ofereça outras condições sociais, como segurança, cuidados generalizados de saúde, emprego mais remunerado, condições de estudo e evolução de carreiras, e procuram Portugal.

Na generalidade, importa frisar que falamos de emigrantes brasileiros de primeira geração, pelo que o foco da preocupação ainda é a integração. Os próximos tempos, com a linha de segunda geração, vão levantar-se outras questões, como a manutenção da cultura brasileira noutro país. Ainda assim, vivemos novos tempos, e a facilidade de viajar[42] entre os dois países, e a base tecnológica que permite uma comunicação em tempo real, permitirá construir uma realidade bem diferente da vivida pelos portugueses dos anos 50 ou 60 do séc. XX, que iam ao encontro de um mundo desconhecido, cortando quase todos os laços com o seu país de origem.

 

CONCLUSÃO

No trato entre Brasil e Portugal, o sentido de nacionalidade vai além da figura meramente legal e jurídica. Existem fronteiras políticas, económicas, morais e intelectuais, sempre abertas e acessíveis, que fundem portugueses e brasileiros numa nação emocional: a lusobrasilidade. Esta expressão afirma a existência de uma vivência comum que vai para além da partilha de uma língua. É uma história interligada, e alimentada de vivências partilhadas, em que o cruzamento de emigrantes, para um e outro lado do Atlântico, insiste em manter acesa dos dois lados. Portugal existe no Brasil e vice-versa, um conceito que ganha corpo real para além dos discursos oficiais, porque é empenhadamente alimentado por famílias, por comunidades.

A lusobrasilidade não é uma classificação, é antes, uma condição que desafia a geografia, que nivela pontos cartesianos que ligam pensamentos e motivações. É mais que ter nascido num desses dois países e manter relações com o outro. É ter um pensamento familiar, de grupo, uma relação de amor, de ódio por vezes, de conflito e preconceito em algumas circunstâncias, mas nunca de indiferença, pois assenta em alicerces culturais comuns. Algo que tenderá a crescer, pois o progressivo fluxo de emigrantes vai acelerar estes processos. Por um lado, a serena mescla de dois povos, por outro, a manutenção de personalidades próprias, numa grelha de valores respeitados de parte a parte. Que outros povos se podem orgulhar disso?

 

Referências bibliográficas

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Coletânea; 7 olhares sobre Viseu; Viseu; Confraria de Saberes e Sabores da Beira Grão Vasco; 2018

GUIAMARÃES, Wylma; A Voz da Mulher; Rio de Janeiro; Kelps; 2019

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XAVIER, Leonor; Portugueses do Brasil & Brasileiros de Portugal; Oficina do Livro; 2016

NUNES, Elisabete; Laços que nos unem; ACREP; 2017

[1] https://www.mundolusiada.com.br/comunidade/portugal-continua-sendo-fonte-de-inspiracao-diz-fernando-hemrique-cardoso/

[2] https://observador.pt/2020/01/16/numero-de-brasileiros-residentes-em-portugal-bate-recorde-sao-quase-151-mil/

[3] www.agenciaincomparaveis.com

[4] Apresentação pública da Associação Luís de Camões – https://www.instituto-camoes.pt/sobre/comunicacao/noticias/apresentacao-publica-da-associacao-luis-de-camoes

[5] Apresentação pública da Associação Luís de Camões – https://www.instituto-camoes.pt/sobre/comunicacao/noticias/apresentacao-publica-da-associacao-luis-de-camoes

[6] Catedral da Cultura Portuguesa – https://www.realgabinete.com.br/O-Real-Gabinete/Historia

[7][7] A partir de 15 de março de 1935, pelo decreto nº 25.134, o governo português concede ao Real Gabinete o benefício de “receber de todos os editores portugueses um exemplar das obras por eles impressas”. Esse estatuto, que se mantem, permite uma atualização permanente da biblioteca em termos do que se edita em Portugal.

[8] Centro de Estudos – https://www.realgabinete.com.br/Centro-de-Estudos/Apresentacao_e_Historico

[9] Síntese Histórica – http://llp.bibliopolis.info/Inicio/Sobre-o-Liceu

[10] Síntese Histórica – http://llp.bibliopolis.info/Inicio/Sobre-o-Liceu

[11] Actualmente, a sede do Liceu está localizada na Rua Senador Dantas, 118 – Centro – Rio de Janeiro, e as atividades docentes são realizadas no Centro Cultural, inaugurado em 13 de dezembro de 2007, situado na Rua Pereira da Silva, 322 – Laranjeiras – Rio de Janeiro.

[12] O curso de pós-graduação lato sensu em Língua Portuguesa, mantido pelo Liceu , é reconhecido pelo Ministério da Educação do Brasil e ministrado sob a orientação e direção pedagógica de vários especialistas e mestres universitários.

[13] https://pt.wikipedia.org/wiki/Caixa_de_Socorros_D._Pedro_V

[14] A sua sede inicial situava-se na rua Visconde de Rio Branco, n° 40, e foi inaugurada em agosto de 1907. Três anos depois, o edifício foi consumido por um incêndio. Após um período em que ocupou um sobrado alugado, a Caixa de Socorros passou a ocupar o edifício no qual se encontra até hoje, localizado na avenida Marechal Floriano, n° 185.

[15] A Câmara – http://www.camaraportuguesa-rj.com.br/a-camara/

[16] A sede da Câmara Portuguesa está localizada na Av. Graça Aranha, 1 – 6° Andar – Centro, Rio de Janeiro.

[17] A Câmara – http://www.camaraportuguesa-rj.com.br/a-camara/

[18] Somos uma grande e animada família – https://aroucabarraclube.com.br/arouca-barra-clube/

[19] Somos uma grande e animada família – https://aroucabarraclube.com.br/arouca-barra-clube/

[20] https://www.viladafeira.com.br/nossa-historia

[21] “Notícias nas redes sociais são falsas”, garante presidente da Casa das Beiras do Rio de Janeiro sobre fake news que “decretam” a falência da entidade – https://e-global.pt/noticias/exclusivo/brasil-noticias-nas-redes-sociais-sao-falsas-garante-presidente-da-casa-das-beiras-do-rio-de-janeiro-sobre-fake-news-que-decretam-a-falencia-da-entidade/

[22] A Casa das Beiras será sempre um santuário… – http://casadasbeirasrj.com.br/

[23] https://www.casadetrasosmontes.com.br/casamentos-e-eventos

[24] http://www.casadeviseu.com.br/2016/o-clube/

[25] Uma casa genuinamente portuguesa, pronta para receber a todos de braços abertos – http://minho.com.br/casa-do-minho/

[26] Uma casa genuinamente portuguesa, pronta para receber a todos de braços abertos – http://minho.com.br/casa-do-minho/

[27] https://pt.wikipedia.org/wiki/Club_de_Regatas_Vasco_da_Gama

[28] História – http://www.casadosacoresrj.com.br/historia/

[29] História – http://www.casadeportugalvr.com.br/a-casa/historia/

[30] https://pt.wikipedia.org/wiki/Real_Sociedade_Clube_Gin%C3%A1stico_Portugu%C3%AAs

[31] No dia 13 de setembro de 1883, o clube recebeu a visita do Imperador do Brasil, D. Pedro II.

[32] http://www.clubeportuguesdeniteroi.com.br/

[33] http://www.clubeportuguesdeniteroi.com.br/o_clube.html

[34] Visão para o futuro – Marco Krämer, Procurador do Grêmio Português para o Biênio 2019/2020 – https://www.facebook.com/pg/gremioportuguesdenovafriburgo/about/?ref=page_internal

[35] História – http://www.casadospoveiros.com/joomla/index.php/institucional/historia

[36] Sobre – https://www.facebook.com/pg/casadoportodoriodejaneiro/about/?ref=page_internal

[37] Orfeão Português: história centenária celebrada no Rio – https://www.mundolusiada.com.br/comunidade/orfeao-portugues-historia-centenaria-celebrada-no-rio/

[38] https://www.facebook.com/Casa-do-Brasil-Terras-de-Cabral-100840938161476/

[39] https://ointerior.pt/cara-a-cara/um-consulado-do-brasil-nesta-regiao-do-interior-sera-de-uma-importancia-enorme/

[40] http://observatorioemigracao.pt/np4/6417.html

[41] https://ointerior.pt/cara-a-cara/um-consulado-do-brasil-nesta-regiao-do-interior-sera-de-uma-importancia-enorme/

[42] Excetuando situações pontuais ou extremas como a pandemia de covid-19


* Abstract

Brazilians and Portugueses maintain undeniable, unavoidable historical ties. Over the past years, these two peoples have come together. Affection has become the central aspect of this connection. Thus the luso-brasilidade emerges, a “condition” capable of translating the existence of a new “people” that includes Brazilians, Portugueses, Portugueses descendants and Luso-Brazilians. Cultural entities and spaces of portuguese origin in Rio de Janeiro help to bring this unique feature to life. We are one people, surrounded by history and ability to evolve, to feel what we are.

 


 

Enlaces Culturais Brasil-Portugal é um livro tecido nas trocas e intercâmbios de conhecimento e experiência de autores portugueses e brasileiros, cada qual olhando simultaneamente para a sua realidade e para a realidade do outro.

 

Enlaces Culturais Brasil-Portugal é um projeto editorial que nasce de uma constatação que os seus organizadores foram consolidando ao longo dos anos em contextos muito diversos: existe efetivamente um desconhecimento recíproco de portugueses e brasileiros da realidade cultural dos seus países. É uma constatação que enfrenta consideráveis dificuldades para se afirmar, desde logo a prosaica ideia que há muito se instalou de que Portugal e Brasil são «países irmãos», uma máxima que de tantas vezes repetida cristalizou a convicção de um conhecimento recíproco que a realidade não sanciona. Será necessário, portanto, desconstruir essa crença, apreciá-la nas suas pretensões e exigir prova efetiva da sua validade. Desconstruí- la não significa, todavia, que ela não tenha razão de ser, que ela não se faça sentir em determinados segmentos da nossa vida em comum ou até que ela não possa apresentar argumentos válidos em sua defesa. Desconstruir significa tão-só abandonar o ponto de vista utilitário que dá uma realidade como absolutamente adquirida sem antes interpelá-la ao nível das suas formas de doação de sentido. Se o fizermos, estaremos mais próximos de produzir um conhecimento comum de nossas realidades que consiga romper de entrada o limite do simples chavão, das proclamações estrepitosas, mas absolutamente desprovidas de significado e alcance.

A ideia que dá origem a este volume nasce, como foi dito, desse diagnóstico de que há diálogos por fazer entre as realidades culturais do Brasil e de Portugal. Mas a origem da própria ideia não é coeva da coletânea que aqui se inicia. A sua origem, pelo menos na sua expressão mais sistemática e duradoura, está intimamente associada ao surgimento do movimento dos Congressos Internacionais sobre Cultura, nascido em 2015 de uma parceria científica e académica entre a Universidade da Beira Interior (Portugal) e a Universidade Federal da Bahia (Brasil), a que se associariam mais tarde a Universidade do Minho e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

[Urbano Sidoncha e Antonio Albino Canelas Rubim]