A que cheira uma mulher?

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O cheiro da mulher, a intimidade e o desejo... __ Diário dos Infiéis __

“As mulheres são um cheiro. É pelo cheiro que as catalogamos no íntimo arquivo dos desejos. «A que cheira uma mulher?», perguntou-me, um dia, a Diana.

«Uma rosa cheira a rosa. Um cravo cheira a cravo. Não sei a que cheira uma orquídea. Mas sei que todas as orquídeas cheiram igual», respondi. Já as mulheres, nenhuma repete o cheiro. As que nos refrescam têm cheiro de rio, as que nos enchem têm cheiro de mar.

Todas as mulheres têm um cheiro húmido. Como a boca. Como o sexo. Só gostamos de uma mulher quando gostamos do seu cheiro. Quando tudo nos leva a bebê-la, como um chá quente, excitante, aromático. Se não gostarmos do seu cheiro, não conseguimos amá-la, nem na pele nem na alma. Podemos ser amigos, companheiros, nunca amantes. Amar é beber um cheiro. É transportá-lo para dentro de nós. Amamos uma mulher quando cheiramos ao seu cheiro.

O Diniz tem o cheiro da Diana. Embriaga-se do seu cheiro quando ela o toca. Adorei aquela deliciosa passagem da festa surpresa num hotel de segunda… havia um cheiro de sexo húmido nas suas palavras, daí a estupefacção da Alice. Meu Deus… foi a delícia da noite. Ela seria perfeitamente incapaz de um gesto destes. E a Luísa igual. Por isso se refugiaram as duas na cozinha, a esconder o coração numa panela de ferro. Por certo, a excomungarem a Diana. É pena! Acho que tinham muito a aprender com ela. Sei que tinham… Cenas clichê? Talvez. Ridículas? Talvez. Como todas as cartas de amor…”

 

João Morgado

IN: Diário dos Infiéis

Romance, Leya, 2017 (3ª Ed.)

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«Parece que João Morgado já leu tudo sobre o amor, de Ovídeo a Stendhal (…) tem uma escrita compacta e assertiva.  Isto é, cheia de pensamentos categóricos, de uma escrita vivida, conclusiva…»

Manuel da Silva Ramos In: Prefácio, 2010

 


 

As mulheres precisam de sol…